Dr Rodrigo Cesar Barbosa
CRMV SP 23010

Dr Mario Silva Barbosa
CRMV SP 1564

Joey

Cirurgias Estéticas estão Prejudicando os Cães

Como todo bom animal, que nasce perfeito e saudável, nós, enquanto humanos, gostaríamos de ter todas as funções e capacidades de manifestação do nosso comportamento preservadas por toda nossa vida. Diferente não pensa o cão, mesmo que instintivamente, em preservar sua cauda e suas orelhas para a total e saudável manifestação de suas características comportamentais em seu meio, entre humanos e animais.

É de conhecimento no meio científico e mesmo entre muitos proprietários de animais mais observadores, que cães manifestam uma parte importante do seu comportamento através da comunicação com sua cauda, que permite que emitam sinais muito específicos e variados para demonstrar receptividade, alegria, submissão, estado de alerta, dominação, entre tantos outros, provocando principalmente nos outros cães com quem estão se relacionando, respostas específicas antes de terem um contato corporal. Um cachorro estuda o comportamento do outro através dos sinais que a cauda emite. Dessa forma se estabelece uma hierarquia saudável entre eles. E o que geralmente acontece ao terem suas caudas cortadas nos primeiros dias de vida, em alguns momentos de suas vidas é: Problemas.

O hábito de cortar a cauda do animal vem da Roma Antiga, época em que os animais não tomavam banho mensalmente e essa medida podia prevenir doenças. Os proprietários que se incomodarem com o acúmulo de sujeira na área da cauda, ao invés de amputá-las, podem realizar a limpeza com algodão úmido, lenços umedecidos, ou mesmo levá-los para receberem banhos.

Um problema semelhante acontece com o corte das orelhas, hoje estritamente proibida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), por definir que estes procedimentos, até então amplamente realizados, serviam apenas para aproximar o animal de um ideal de beleza. As orelhas para um cão funcionam como uma espécie de radar, ou seja, seu movimento é direcionado para onde acontece o som, captando dessa forma, com melhor acústica, todos os sons e ruídos do ambiente. Para um cão de guarda essa característica é fundamental.

Um problema muito relacionado com o corte de orelhas nos cães é a instalação de um quadro doloroso e de fácil complicação que são as otites (inflamação do conduto auditivo), justamente pelo fato de faltar-lhes a proteção do ouvido contra os ventos, chuva, e sujidades do ambiente, exercida pela orelha. Sem falar que o corte de orelhas é um dos pós-operatórios mais doloridos que existem.

Desde que o movimento veterinário em prol do bem-estar animal tomou voga nos encontros promovidos pela classe, em palestras, simpósios e congressos pelo Brasil, têm sido discutida a real necessidade da realização de muitos procedimentos controversos, e as cirurgias mutilantes nos animais de companhia, como a caudectomia e a conchectomia, ou como melhor são conhecidas, o corte de cauda e de orelhas, sendo estas não aconselhadas e proibidas, respectivamente, por um conselho de ética do CFMV.

Nesse sentido, como disse o australiano Steve Atkinson, o então presidente da área ética da Associação Australiana de Veterinários em visita ao Brasil promovida pela ARCA Brasil para o 3o Congresso Latino Americano de Bem-estar Animal em 2000: “É preciso mudar o conceito de beleza dos animais, e passar a vê-los e valorizá-los com são, saudáveis e perfeitos desde o nascimento, e não querer aproximá-los de um ideal de beleza humano que, por fim, acaba por prejudicá-los ao provocar diversos sofrimentos em decorrência da falta de suas características naturais.”

Essas duas cirurgias são proibidas na França, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Israel, Holanda, Suíça e Reino Unido, entre outros.

Muito obrigado, até a próxima.

Rodrigo Cesar Barbosa

CRMV 23010 – SP