Dr Rodrigo Cesar Barbosa
CRMV SP 23010

Dr Mario Silva Barbosa
CRMV SP 1564

Joey

Limpeza de tártaro

Muitos proprietários se preocupam com a possibilidade dos seus cães terem cáries. O que a maioria deles não sabe é que esses animais raramente apresentam a doença, que é comum no ser humano. Na verdade, o problema mais comum é o acúmulo de tártaro nos dentes, ou seja, o acúmulo de placa bacteriana que vai ser mineralizada e formar o tártaro. Esse acúmulo vai depender principalmente do tipo de alimentação, da raça e da escovação que o proprietário pode realizar no cão.

O acúmulo de tártaro gera um ambiente propício para o desenvolvimento exacerbado das bactérias orais. Como o número dessas bactérias aumenta muito, o número de substâncias tóxicas produzidas por seu metabolismo também cresce na mesma proporção – e disso surgem as periodontopatias: gengivite e periodontite.

Na gengivite há o comprometimento somente das gengivas, que se tornam avermelhadas, inchadas, e podem sangrar. Porém isso é reversível: se a limpeza de tártaro for feita no animal, seus dentes ficarão limpos e a gengiva voltará ao normal.

Já com as infecções gengivais, com a formação de pus, desmineralização do osso que sustenta o dente, e retração ou crescimento desordenado da gengiva, está caracterizada a periodontite. Esta é irreversível e, mesmo com tratamentos, o animal ficará com as raízes dos dentes expostas e com a gengiva retraída.

O sinal clínico mais comum da periodontite é o mau hálito. Uma fermentação causada pelas bactérias junto da presença de pus causa um odor muito forte e desagradável. Dependendo do estágio, pode causar uma dor muito grande no animal – o que vai fazer com que ele pare de comer e brincar, além de ficar tristonho.

O mais importante e que poucas pessoas sabem, no entanto, é que as doenças acima citadas – além da queda dos dentes e infecções localizadas – podem causar outras doenças mais sérias. As bactérias encontradas na boca no animal não ficam apenas por lá. Elas atingem a corrente sanguínea e, com isso, são levadas para todos os órgãos do animal – principalmente coração, rins, fígado e articulações, podendo causar grande inflamação nestes locais.

Por isso não deixe acumular muito tártaro em seu animalzinho. Lembre-se de que quanto mais tempo demorar para a limpeza ser feita, maior será o número de bactérias crescendo. Então não deixe de olhar a boca de seu pet!

O tratamento é simples: primeiramente podemos fazer a profilaxia com uma escova própria para cães, chamada de dedeira. A escovação pode ser realizada três vezes por semana. Mas cuidado: não use creme dental humano, pois ele pode fazer mal para o estômago do animal, além de muita espuma. Hoje, no mercado, existem cremes dentais próprios para os animais (e alguns até com sabores).

Por último é importante que o proprietário do cão verifique se o veterinário que irá fazer a remoção do tártaro possui os instrumentos adequados para a limpeza odontológica. Hoje existem aparelhos (ultra-som dentário) semelhantes ao de seres humanos para uma melhor limpeza e menor trauma para o bicho – e este aparelho também realiza o procedimento de maneira mais rápida. Já para um tratamento “divertido” podem ser usados alguns brinquedos como ossos defumados, cordas apropriadas para cães, víceras desidratadas, etc.

Observe, sempre que possível, a boca de seu animal. Isso vai fazer com que ele tenha uma vida mais saudável e mais longa! Até a próxima!

 

Rodrigo Cesar Barbosa

CRMV-23010-SP