Dr Rodrigo Cesar Barbosa
CRMV SP 23010

Dr Mario Silva Barbosa
CRMV SP 1564

Joey

O perigos da “auto-medicação” nos animais domésticos

A auto-medicação é um termo utilizado na medicina humana que descreve o evento de pessoas que tomam remédios por conta própria, sem consultar previamente um médico. Um medicamento usado inadvertidamente, muitas vezes, provoca mais malefícios do que benefícios à saúde. Na medicina humana o médico é orientado a levantar um histórico completo do paciente para verificar se este está apto a receber o tratamento com esta ou aquela droga, ajustá-la ao peso do paciente, determinando sua dosagem, o número de repetições diárias e o tempo de duração do tratamento. Se um destes ítens não for rigorosamente observado, corre-se o risco do tratamento não ser eficiente para ajudar o paciente a se recuperar ou mesmo de agravar o seu quadro, prejudicando sua saúde. Mesmo os medicamentos considerados leves, vendidos nas farmácias sem a necessidade de apresentação de receita, têm as suas contra-indicações!

Entre os animais usamos o termo “auto-medicação” por conveniência, pois ela se dá, obviamente, por parte de seus proprietários, que ministram medicamentos por conta própria em seus animais, sem antes consultar um médico veterinário. Os casos mais comuns que acompanhamos na clínica veterinária é a administração de medicamentos anti-gripais à base de paracetamol (Tylenol®), ou de anti-inflamatórios tendo como princípio ativo o diclofenaco sódico (Cataflan®, Tandrilax®, Voltaren®). Ambos os medicamentos, indicados para uso em seres humanos, são extremamente tóxicos para cães e gatos. Seu uso, mesmo em pequenas dosagens, pode provocar um quadro irreversível de intoxicação no animal e, não raro, levá-lo à óbito. Já acompanhamos casos como esses no Espaço Veterinário, onde, pela gravidade do quadro, nada pudemos fazer para reverter a intoxicação. O mesmo ocorre com diversos outros remédios, como a aspirina (AAS®, Melhoral®), por exemplo.

Alguns medicamentos anti-inflamatórios, antibióticos e anti-convulsivantes, mesmo os de uso exclusivamente veterinário, precisam ter um controle próximo pelo clínico responsável, pois requerem ajustes na dosagem ao longo do tratamento, evitando as previsíveis reações adversas. E elas podem ser catastróficas! Atendemos um caso de um cão recebendo medicação anti-inflamatória, de uso veterinário, mas com dosagem não ajustada ao animal. Este cão, um Rottweiller adulto, começou a ser auto-medicado por seu dono por estar com um dos seus membros inflamado e mancando. O resultado foi o desenvolvimento de uma severa úlcera gastroduodenal e extrema debilidade do seu estado de saúde, chegando a provocar necrose (apodrecimento) em sua língua . Este cão morreu após 4 dias internado na tentativa de reverter a intoxicação provocada pelo mau uso deste medicamento, que, se utilizado corretamente, poderia tê-lo ajudado.

Fica então o alerta para que muitos de vocês leitores, proprietários de animais de estimação, mesmo que bem intencionados, saibam dos perigos de medicar seus animais sem orientação profissional. O médico veterinário é o único capaz de decidir adequadamente sobre as medidas de estabelecimento da saúde dos animais de companhia. Seja responsável e coerente. Vida longa e saudável na relação entre homens e animais! Tenham um Feliz Natal e um ótimo Ano Novo com muita paz e saúde. Até o ano que vem!

 

Rodrigo Cesar Barbosa

CRMV 23010 – SP